terça-feira, 17 de março de 2009



OUVINDO... O QUÊ?
O uso cada vez mais frequente dos fones de ouvido pode trazer danos irreversíveis para a saúde e as práticas sociais.

Não é de hoje que existe a preocupação com relação aos diversos danos que o uso de fones de ouvido podem causar às pessoas. No entanto, essa discussão se intensificou com o surgimento dos aparelhos de mp3. Aqueles que antes passavam o tempo ouvindo um CD de 80 minutos num diskman, hoje têm a possibilidade de criar uma lista de músicas que dure por horas, acompanhando a longa duração das baterias dos aparelhos.
Estudos comprovam que o uso prolongado dos fones, associado ao alto volume ao qual os usuários geralmente se expõem, podem levar uma pessoa a surdez. A informação é preocupante, pois, conforme a fonoaudióloga Cíntia Fahl alerta, a surdez não tem volta. “Nós temos células ciliadas dentro do órgão da audição,”, explica Fahl, “então quando uma pessoa se expõe a um som muito alto, essas células morrem e não existe um processo de regeneração, pois elas não são como as células da pele, por exemplo.”

A escolha do fone pode atenuar o problema, mas não irá eliminá-lo. Hoje encontramos no mercado três tipos básicos. Os mais comuns, chamados de earbuds, são aqueles colocados dentro da orelha; os in-ear ou intra-auriculares são parecidos com os earbuds, porém com uma suposta vantagem: seu design é feito de tal modo que eles são encaixados dentro do canal auditivo, bloqueando, assim, barulhos externos que podem fazer com que o usuário aumente o volume; e, por fim, os headsets - popularmente conhecidos como fone DJ – são aqueles grandes, almofadados que não se encaixam na orelha. Segundo a fonoaudióloga, “quanto mais próximo do canal auditivo o fone estiver, maior será a amplificação do som”, gerando danos mais graves.

No início, a perda de audição é sutil, e o seu progresso vai depender do tempo de exposição e do volume. A partir dos 85 decibéis (dB), a cada 3 dB adicionais, tira-se pela metade o tempo de exposição saudável. Se partirmos de 8 horas com 85 dB, você pode calcular o quão prejudicial poderá ser o uso de volumes maiores (4 horas para 88 dB, 2 horas para 91 dB e assim por diante). O primeiro indício de que algo não está bem com seus ouvidos é a presença de zumbidos, mas dificilmente as pessoas dão importância a eles. “É igual a alguém que tem miopia: até ela colocar o óculos de outra pessoa ou ir num oftalmologista para fazer um exame, ela provavelmente não vai perceber que a sua visão está diminuindo” – exemplifica Fahl.

Vários músicos já deram depoimento sobre traumas em seus aparelhos auditivos, como Eric Clapton, Phill Collins, Rogério Flausino (que já perdeu 30% de audição do ouvido direito), entre muitos outros. Além de acelerar um processo que só viria com a velhice, o uso irresponsável dos fones de ouvido pode trazer prejuízos também para a vida profissional. A fonoaudióloga cita o caso dos exames realizados em empresas nas quais o funcionário trabalha com máquinas. Ela explica que é feita uma audiometria antes, durante e depois que o empregado começa a trabalhar. “Muitas vezes você encontra adolescentes que já apresentam uma perda auditiva leve”, diz, “e é o mesmo tipo de perda auditiva que uma pessoa tem quando trabalha sem usar o fone de proteção”. Segundo ela, esse pode ser um fator decisivo na hora da contratação, uma vez que a empresa se preocupa com o avanço do problema.

A surdez psicológica
Quando o assunto é fone de ouvido, não é só para o volume que devemos atentar. Se usados demasiadamente, os fones também podem ter um efeito negativo nas relações pessoais, causando o isolamento social do indivíduo. O psicólogo Denis Bueno ressalta que “primeiramente, é importante observar que a tecnologia por ela mesma não é boa nem má, a forma como ela é utilizada pelo homem é que faz toda a diferença”. Bueno conta que vê muitas pessoas nas ruas com seus fones de ouvido, totalmente desatentas ao mundo real como se estivessem em um mundo alternativo, isto é, no mundo apenas delas. “Essa é uma falsa sensação”, diz ele, “que faz com que as pessoas se isolem cada dia mais dos outros, pois não têm o contato auditivo ou verbal com seu semelhante e, por isso, não ouvem as reclamações nem os elogios, e não se atentam para os movimentos ou sons ao seu redor.”

A pergunta a ser feita é: Por que as pessoas se escondem atrás de seus fones? A resposta talvez esteja no sistema capitalista e individualista que rege o mundo em que vivemos. Um mundo “onde o outro e o que ele faz não me importa mais, portanto não preciso mais ouví-lo, por isso, faço tudo sozinho, inclusive ouvir música” – avalia o psicólogo.

Os maiores prejudicados por essa prática talvez sejam as crianças e os adolescentes. De acordo com Bueno, “a psicologia sempre considerou a escuta um mecanismo muito importante para entender o outro e ajudá-lo de diversas formas, forma essa essencial para a relação entre pais e filhos”. Assim, quando não há essa troca, um torna-se desconhecido do outro, e a função do adulto de preparar a criança e o jovem – que, cedo ou tarde, tornam-se responsáveis pela continuidade do mundo – fica comprometida.

terça-feira, 10 de março de 2009

Um café com muito ânimo

Dona Cleonice acorda bem antes do Sol nascer para enfrentar uma jornada: ela vende café da manhã para os apressados paulistanos, na esquina da Avenida Paulista com a rua Peixoto Gomide. Conversamos com ela para saber um pouco mais sobre a sua vida, que é um verdadeiro exemplo de força e disposição.

A: Amanda C: Cleonice

A: A que horas a senhora acorda?
C: Às três da manhã, isso quando eu não trago coxinha, essas coisas. Se eu fizer coxinha, salgado, aí eu levanto às duas e meia. Então é assim: eu trago lanche natural e misto quente. Esses eu faço de madrugada, que é quando eu trabalho. Agora esses que estão aqui são pães caseiros recheados, eu faço de frango, de lingüiça, de frios. Então é tudo feito em casa.

A: E o que a senhora faz depois que fecha a banca?
C: Como eu não tenho capital de giro, eu faço uma “Via Sacra”, sabe? Eu passo pra comprar os frios... então se num supermercado tá mais barato uma coisa, eu passo pra comprar, se está mais barato no outro, eu vou lá. Eu vou com um Voyage 63 caindo aos pedaços. Aí no supermercado eu pego tudo que eu preciso pro outro dia: açúcar, ovos, leite.Chego em casa, primeira coisa: esvazio as garrafas, jogo o que sobrou fora. Se sobra leite, eu aproveito pra fazer bolo, se sobra leite com chocolate, eu uso pro bolo de chocolate. E aí já começo a fazer as coisas para o dia seguinte.

A: E que horas a senhora pára?
C: Depende do material que eu vou trazer no dia seguinte, porque eu não tenho fogão industrial, eu tenho dois fornos comuns. Então eu começo a trabalhar uma hora da tarde e geralmente vou até às sete.

A: Depois disso a senhora já vai dormir, então?
C: Não, antes tenho que ferver a água pra deixar nas garrafas, porque no outro dia eu acordo cedo e até ferver a água pra fazer 10 litros de café demora muito.

A: São 10 litros por dia?
C: Sim, porque a minha filha tá desempregada e ela tem uma banquinha pra trabalhar comigo. Eu trago no total 11 garrafas, mas nem sempre vende tudo. Hoje mesmo, tem essa que está cheiinha, as outras estão todas vazias.

A: E a senhora faz tudo sozinha ou ela te ajuda?
C: Ela ajuda, mas às vezes ela não aguenta, porque ela chega muito cansada, então ela vai dormir. Porque eu levanto às três e meia, e chamo ela às 4 h, 4h20. Então ela não aguenta.

A: Ela é a sua única filha?
C: Não, eu tenho três filhos. O mais velho, que é pai de uma menina de 4 anos e paga pensão. Mas ele está desempregado, só faz serviço temporário, então quem paga a pensão sou eu. Ele vai fazer 33 anos em agosto e a minha filha 32 em novembro. O mais novo tem 24 anos, é pai de uma meninha que vai fazer 8 meses. Ele mora comigo, é diabético e é difícil ele conseguir um emprego, porque geralmente ele não passa no exame médico, porque a doença o deixa numa montanha-russa.

A: Só ele vive na sua casa?
C: Todos moram comigo, são todos solteiros.

A: Há quanto tempo a senhora trabalha vendendo café da manhã?
C: Seis anos. Quando eu comecei, eu ficava na esquina da Ministro, mas aí me mandaram sair de lá. Aí eu fique aqui na Avenida, em frente ao estacionamento, perto do ponto de ônibus. Ali eu fiquei por cinco anos, mas quando colocaram o Fórum eu tive que sair. Aqui eu estou há uns quatro meses.

A: Antes disso, no que a senhora trabalhava?
C: Trabalhei de doméstica, de diarista, de vendedora de alumínio, em feira. Já fiz de tudo na minha vida, só não matei, não roubei e não traí o marido, por enquanto.

A: Quando a senhora teve a idéia de vender café?
C: Olha, a situação nos obriga a essas coisas. Eu não tenho estudo. Não sou burra, mas não tenho estudo. Eu fiz até o primeiro ano do colegial, na minha época: a quinta séria de hoje. No ano passado eu comecei a fazer a quinta, mas não conclui, porque eu tinha que levantar muito cedo pra trabalhar e não consegui, então eu parei. Então, quando eu parei de vender marmitex, passei por uma situação muito difícil, pois tinha levado um calote muito grande porque eu vendia por mês. Na época, isso em 99, todo mundo em casa estava desempregado. Aí eu fui trabalhar de doméstica e fazia salgados, pra me manter, e o meu marido fazia uns bicos. Mas a situação apertou demais, e eu não tinha dinheiro pra começar nada. Então o meu cunhado fez um empréstimo de R$ 300,00 pra eu comprar as primeiras garrafas. Porque eu pensei: o que eu sei fazer? Cozinhar. Então é isso que eu vou fazer. Aí eu vim na Avenida, pra ver onde eu podia colocar a banca.

A: A senhora é de São Paulo?
C: Sou e não sou. Eu nasci no interior, em Jaboticabal, e então eu casei com 18 anos e vim pra São Paulo. Já estou com 34 anos de casada, então, há bastante tempo na cidade.

A: O que a senhora acha da cidade? Porque, afinal de contas, é por causa da correria da cidade que as pessoas têm de tomar café na rua, a caminho do trabalho.
C: É, São Paulo é uma loucura, mas é uma loucura boa. E eu penso o seguinte, aqui, pode não ter emprego pra todos, mas não ganha dinheiro quem não tem coragem de trabalhar. Porque se você não tem um emprego, mas tem R$ 10,00, você compra carne e começa a vender churrasquinho na esquina. Ou então você sai na rua pra catar latinha, ou se oferece pra fazer a faxina ou passar a roupa do vizinho.

A: A senhora sairia daqui?
C: Se eu tivesse condições, sim, eu sairia. Eu já estou com 51 anos, e o meu marido com 60, quase se aposentando. Então se eu pudesse, eu iria para o interior, parar ter uma vida mais tranqüila.

A: E quando está chovendo, como a senhora faz?
C: Eu trago um guarda-chuva, um plástico fino. Do jeito que der pra trabalhar, a gente faz. A não ser que esteja ventando tanto que não dê pra montar a banca.

A: Como a senhora lida com os moradores de rua que pedem café?
C: Eu não nego pra nenhum, porque o que eu dou pra eles Deus me dá dobrado.

A: A senhora é católica? Costuma ir à Igreja?
C: Sou católica, mas não gosto de ir à Igreja. Quando preciso, eu falo direto com Ele. Se eu tiver que conversar e pedir pra Deus - que na verdade eu não peço - eu só peço saúde, disposição e que Ele não me deixe desanimar. Porque se hoje a venda tá fraca, amanhã vai melhorar.

A: E a senhora já pensou em parar com as vendas?
C: Não. Eu só vou parar com isso aqui, quando eu ganhar na loto, e eu jogo!

Amo muito tudo isso!


O cheiro de batata frita no ar era característico e as cores - vermelho e amarelo - estavam espalhadas por todo o salão. Escolhemos uma mesa no canto para conversar e enquanto sentávamos nas conhecidas cadeiras giratórias ele tirava o boné com o grande M na frente, afinal, o seu turno já havia acabado.

Comecei perguntando o nome e a idade. “Pedro Henrique de Souza” – me informou – “23 anos, 12 meses e alguns dias”. Seu aniversário foi na última semana, quando completou 24 anos – que não seriam anunciados, por causa da popular brincadeira entre os garotos, afirmando que essa é uma idade decisiva para a vida de um homem. “Não que eu me preocupe” – disse ele.

Pedro é caixa de um dos restaurantes da rede McDonald’s, na avenida Paulista, número 810. Está trabalhando há quase um ano, tempo suficiente para ver a sua foto estampada no quadro de Funcionário do Mês, o que diz ser gratificante: “te dá um pouco mais de segurança e a certeza de que você está conseguindo fazer as coisas certas no meio daquela correria”. Realmente, o lugar não pára: o trabalho começa às 8 horas, uma hora antes do restaurante abrir, “temos que arrumar tudo, limpar, começar a preparar as coisas para o café da manhã, que faz parte do novo menu”, explica. Pedro tem uma pequena pausa às 13 horas para almoçar e logo volta para o caixa, onde dezenas de clientes esperam por seus lanches. O tempo passa, mas o serviço – dele – só vai acabar às 17 horas, quando Pedro sai correndo para a PUC, no campus Santana, onde cursa o primeiro ano de Administração.

Sobre casos engraçados que já presenciou, ele conta sobre uma mulher que chegou no restaurante pedindo um BigMac... sem hambúrguer. “Já vi as pessoas tirarem de tudo: cebola, alface, tomate, mas hambúrguer... foi a primeira e única vez” – diz, rindo.

“Trabalhar no McDonald’s não foi bem uma escolha, foi mais uma necessidade” – conta Pedro – “eu acabei demorando para entrar na faculdade, por diversos motivos, e, quando entrei, precisava de um trabalho... aceitei o primeiro que apareceu”. Era inevitável perguntar quais eram os diversos motivos, o que gerou uma certa exitação em sua voz... quase 20 segundos de espera, nos quais podia-se ouvir o som do hambúrguer fritando na chapa da cozinha e as pessoas conversando nas mesas mais próximas. Embora não tivesse a obrigação de responder, Pedro explicou que passou por um momento ruim, logo após a morte da sua mãe, quando começou a andar com más companhias, a beber e a usar drogas. “Felizmente” – diz – “meu pai sempre esteve do meu lado e me ajudou a sair dessa”.

Pedro tem planos para o futuro: quer se formar na faculdade e ir trabalhar no setor de administração de alguma grande empresa, “uma IBM me deixaria muito feliz mas, se não der... bom, eu posso administrar um carrinho de lanches” – brinca. Apesar de tudo, diz que só sairia do McDonald’s se recebesse uma proposta melhor, “o que eu posso fazer? Aqui é uma loucura, mas eu amo muito tudo isso”!

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

05. Um lugar incomum para momentos em comum


Projetado pelo arquiteto Fábio Penteado, o Centro de Convivência Cultural de Campinas é uma área de lazer para toda a população. Em 2004, a praça Imprensa Fluminensa – onde está localizado – foi reurbanizada e reformada: os pisos foram trocados por blocos de concreto coloridos, as paredes foram repintadas e os canteiros ganharam novos jardins.

O conjunto arquitetônico possui quatro edifícios em cruz, cujas partes superiores são arquibancadas para o Teatro de Arena, que tem capacidade para aproximadamente 5.000 pessoas. Há também o Teatro Interno Luiz Otávio Burnier (500 pessoas), a sede da Orquestra Sinfônica de Campinas – que realiza ensaios abertos ao público nos sábados – e a Feira de Artes e Artesanatos, popularmente conhecida como Feira Hippie.

O local é, além de uma atração turística e um centro cultural, um ponto de encontro para amigos, namorados e famílias. É, literalmente, um centro de convivência , onde centenas de pessoas têm momentos de diversão em comum. E é por tudo isso que esse projeto fotográfico tem por objetivo registar essa diversidade, numa tentativa de fazer as pessoas enxergarem o ambiente acolhedor que ali se edifica. Para isso, serão feitas visitas semanais ao local, além de entrevistas com os responsáveis pelos teatros e a feira de artesanatos e com a população que por ali circula. As fotos mostrarão situações cotidianas, eventuais apresentações, os hippies, os artesão e artistas do Centro.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

004. A Magnum

Morte de um Miliciano - Robert Capa

“Magnum é uma comunidade de pensamentos, uma divisão de qualidades humanas, uma curiosidade sobre o que está acontecendo no mundo, um respeito pelo que está acontecendo e um desejo de transcrever isso visualmente”. (Henri Cartier-Bresson)

A MAGNUM

A Magnum é uma cooperativa de fotógrafos independentes, criada em 1947 e liderada, inicialmente, pelo fotógrafo húngaro Robert Capa (19131954), o polonês David Seymour “O Chim” (19111956), o francês Henri Cartier Bresson e o inglês George Rodger.

Essa união revolucionou não só o trabalho dos profissionais na área como também a linguagem visual da época. Instigados a desenvolver projetos pessoais, os sócios empenharam-se em dar uma dimensão humana às imagens. Dessa forma mudaram de vez o jeito de fazer fotojornalismo no mundo. A Magnum foi criada para refletir a natureza independente de seus sócios, tanto como pessoas quanto como fotógrafos – a mistura incomum do repórter e do artista que continua a definir a Magnum, enfatizando não só o que É VISTO, mas também COMO é visto. A intenção também era criar uma ‘liberdade fotográfica’ que não se limitasse apenas às formulas das revistas.

Era importante para os fotógrafos ter flexibilidade para escolher seus trabalhos e suas histórias. Nenhum deles queria sofrer as ditaduras de uma única publicação, por isso as fotos ficavam sob o direito autoral dos próprios fotógrafos, tendo ele a liberdade de vendê-la para vários veículos. Eles acreditavam que os fotógrafos, no geral, precisam ter um ponto de vista em suas mentes que transcenda qualquer fórmula de eventos contemporâneos.

ROBERT CAPA

Nascido em Budapest, em 1913 como Endre Ernő Friedmann, Capa deixou seu país em 1932, depois ter sido preso por causa de seu envolvimento político com protestantes contra o governo. Capa queria, na verdade, ser um escritor. No entanto, ele conseguiu um emprego em Berlin como fotógrafo e cresceu para amar a arte. Em 1933, ele se mudou para a França por causa do nazismo, já que ele era judeu, mas achou muito difícil conseguir trabalho como freelance. Foi nesta época que ele adotou o nome “Robert Capa”, dizendo que seria mais reconhecível e mais parecido com os nomes americanos.

É famoso, principalmente, pelas suas fotografias de guerra. A mais conhecida é a Morte de um Soldado Legalista, tirada no dia 5 de setembro de 1936, durante a Guerra Civil Espanhola. Esta foto chamou a atenção devido ao realismo com que é retratada a tragédia vivida naqueles anos.

Além da Guerra Civil Espanhola, Capa também cobriu a Segunda Guerra Mundial, a Segunda Guerra Sino-Japonesa, a Guerra Israelo-Arábe, entre outras. Em todas elas, fez um retrato talentoso, realista e sensível dos acontecimentos.

Morreu ‘em combate’, ao pisar numa mina, mostrando que sempre levou a sério sua frase: "Se as fotografias não são suficientemente boas, é porque não se está suficientemente perto".

HENRI CARTIER-BRESSON

Cartier sempre fora apaixonado com a pintura, especialmente a Surrealista. Em 1932 ele descobriu a Leica e começou uma vida longa e apaixonada pela fotografia. Em 1933 ele teve a sua primeira exposição no Julien Levy Gallery, em Nova Iorque.

Em 1940, foi feito prisioneiro de guerra, e, depois de três tentativas, conseguiu escapar. Em 1945 ele fotografou a liberação de Paris junto a um grupo de jornalistas profissionais. Posteriormente, ele filmou o documentário Le Retour (O Retorno). Após viajar por três anos pelo Oriente, ele retornou à Europa, onde lançou o seu primeiro livro: Images à la Sauvette (em inglês: The Decisive Moment).

Ele explicou a sua abordagem fotográfica nestes termos: para mim, a câmera é um livro de rascunhos, um instrumento de intuição e espontaneidade, o instante máximo no qual, em termos visuais, questiona e decide simultaneamente. É por meios econômicos que alguém chega à uma simplicidade de expressão.

Em 1968, ele começou a se concentrar no desenho e na pintura. Em 1993, com sua esposa e sua filha, ele cria a Fundaçao Henri Cartier-Bresson, em Paris, para preservar o seu trabalho. Cartier recebeu vários prêmios durante sua carreira e morreu em sua casa, algumas semanas antes de completar 96 anos.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

003. Aprendiz 5 - O Sócio


Hoje fui à Record, participar da gravação de um episódio do Aprendiz.
Confesso que o Justus subiu um pouquinho no meu conceito. Ele parece ser mais simpático (nos intervalos) do que durante o programa. Claro que tem todo o lado mau e exigente do personagem que ele exerve no Aprendiz, mas...
Enfim, cheguei em casa e resolvi fazer uma rápida pesquisa no Google sobre ele. Achei uma entrevista interessante que ele concedeu à Revista Seu Sucesso, na edição nº 38. Segue abaixo.

***

Quando você começou sua carreira, há mais de 20 anos, você havia planejado como trabalhar sua imagem para figurar como o bom profissional que é hoje?
Ninguém, quando está começando, imagina onde pode chegar. Você não sabe o que vai te acontecer. Existem os mais determinados e os menos determinados. Eu era muito determinado. Eu dizia que não ia passar por esta vida sem deixar uma marca de alguma forma. Mas você não sabe o que vai te acontecer. Eu usava as pessoas de sucesso como referencial. Olhava para o que fizeram as pessoas da minha área, como atuaram, como fizeram, para tentar aprender alguma coisa.

Em quem você se inspirava?
Eu me lembro que, naquela época, o grande case era o Lee Iacocca (presidente da Chrysler na década de 80), que deu a própria cara para recuperar a montadora, que não estava bem. O Jack Welch, que ainda acompanho, foi um grande ícone. No nosso meio, acompanhei alguns publicitários estrangeiros. Foram muitas pessoas que observei com olhos de admiração e aprendizado.

Você sabia identificar qual era o momento de deixar a sua marca?
Durante a minha trajetória, surgiram algumas coisas que eram ícones de uma trajetória de sucesso. Observando a vida dos grandes empresários, eu via que em um determinado momento surgiu “a hora” daquela pessoa. Tem alguns empresários que não conseguem aproveitar esse momento; o cavalo passa selado e o empresário não monta. Eu sabia que minha hora ia acontecer. A primeira grande oportunidade foi ter conseguido uma conta grande, que deu visibilidade ao meu trabalho. E eu consegui essa grande conta. A segunda foi me associar a uma empresa multinacional; isso me abriu os horizontes de uma forma fantástica.

O que você acha que as pessoas reparam na sua conduta para considerá-lo um empresário bem-sucedido?
Há uma somatória de coisas. Em primeiro lugar, a grande aferição de sucesso profissional, para uma empresa, é o lucro, o resultado, a posição no mercado e algumas outras coisas. No campo pessoal, as pessoas o consideram bem-sucedido pela sua felicidade. Você só consegue fazer bem feito aquilo que você tem paixão por fazer. Eu adoro minha profissão. Isso é uma forma de acabar divulgando o seu trabalho. Fora isso, eu tive um palanque importante, que outros publicitários não têm, que foi um programa na televisão (O Aprendiz, da Rede Record. Reality show feito por futuros empresários). A forma como eu conduzi o programa, de maneira firme, ajudou a divulgar meu trabalho e a difundir a imagem de empresário bem-sucedido.

Existem traços na sua personalidade que atraia a admiração das pessoas?
Algumas coisas podem atrair mais. Quando você tem uma personalidade forte, opiniões fortes, se tem uma posição de destaque por algum motivo, você acaba ganhando visibilidade, e a visibilidade ajuda a reforçar os traços da sua personalidade. Eu sou uma pessoa de hábitos muito simples, apesar de ter uma “embalagem” mais sofisticada; costumo tratar as pessoas de igual para igual. Prego muito isso na minha empresa, cultivar essa relação com as pessoas. Às vezes a embalagem não condiz muito com a realidade. Os meios de comunicação te transformam um pouco em mito.

Ao longo da sua carreira, você precisou corrigir e lapidar atitudes suas no ambiente profissional?
Muita coisa. Quando eu era mais jovem, era muito dono da verdade. Apesar de sempre querer aprender bastante e ser muito observador por um lado, por outro, quando eu comecei a fazer um certo sucesso na carreira, eu me senti envaidecido demais. Isso é o princípio do fim para qualquer profissional. Ainda bem que eu percebi logo o erro. Entendi que, quanto mais alto você está, mais humilde tem que ser. Isso porque o peso das suas palavras passa a ser maior; um elogio seu pode ajudar muita gente a crescer e uma crítica, principalmente a algum funcionário, pode ser muito prejudicial. Você tem que entender que não sabe tudo; quando acha que já respondeu todas as perguntas da vida, ela te faz outras novas. Hoje eu não menosprezo nenhum tipo de informação. O feedback vem de todos os níveis da empresa, de fora; procuro fazer negócios que sejam bons pros dois lados e não querer levar vantagem sozinho. A gente precisa entender e valorizar as relações individuais; são elas que fazem com que tudo aconteça na vida.

Quando você é apresentado a alguém no ambiente profissional, faz alguma coisa para causar uma primeira boa impressão?
A primeira boa impressão ou existe ou não existe. Não adianta querer exagerar nas atitudes para ser notado de forma positiva. É como uma mulher que se perfuma demais, que usa muita maquiagem e que se insinua demais: ela acaba sendo vulgar. Se ela for mais natural, menos ousada, talvez consiga algo mais duradouro. Eu construo relações de longo prazo. Não é no primeiro impacto que vou conseguir convencer alguém de que tem que trabalhar com minha empresa ou acreditar em mim. Isso vai ser durante uma conversa. O primeiro impacto pode ser muito tênue e nem sempre diz se uma relação vai ter sucesso ou não. Mas é claro que as pessoas devem estar bem apresentadas e bem preparadas para o que vão fazer.

Como você se prepara para reuniões de trabalho, por exemplo?
Se vou participar de uma reunião, procuro me conhecer muito bem o assunto; se vou tratar com alguma empresa, tenho que conhecer o panorama de negócios dessa empresa. Eu não entro despreparado em nenhuma conversa, mas minha intenção não é nunca causar um bom impacto inicial, só para convencer a pessoas num primeiro momento. Me preocupo em criar relações de longo prazo; quero causar impacto durante a relação.

O que você espera encontrar numa pessoa que pretenda trabalhar com você?
Depende de quem é a pessoa. Se é uma pessoa que vem trabalhar para mim, eu quero que ela tenha tantas preocupações quanto as que eu tive quando eu fui tentar fazer algum negócio com alguém: não tente se vender demais, falar mais que o necessário; a pessoa tem que ser equilibrada, tranqüila, mas tem que mostrar energia, não adianta ser uma mosca morta na minha frente e eu tenha que ficar tirando as coisas da pessoa. Eu sei que é difícil, são muitas coisas. Ninguém tem tudo, nem nas relações profissionais nem nas pessoais, e é preciso aprender a conviver com isso. Quando eu era mais jovem, eu achava que as pessoas tinham que ser o que eu achava que elas deveriam ser. Mas quando eu travava contato com a realidade e via que as pessoas não eram ideais, eu me decepcionava. Mas hoje vejo que todo mundo, tanto quanto eu, tem defeitos e problemas. Mas é claro que temos que ser pessoas com mais virtudes do que defeitos; eu só contrato uma pessoa se for assim.

O que mais chama sua atenção numa pessoa com quem você tem um relacionamento profissional?
É o preparo, a cultura geral, a informação. Hoje em dia, no nosso País, as pessoas deixam isso um pouco de lado. Você tem muitos bons especialistas em algumas áreas, mas poucas pessoas com visão macro. Eu prefiro me relacionar com pessoas com visão abrangente, principalmente se for alguém que vai trabalhar para mim.

Quando vai fazer uma viagem de negócios internacional, qual sua maior preocupação em relação ao seu comportamento?
Eu não tenho muitas preocupações, porque eu sou eu em qualquer lugar. Eu não tenho vários papéis. O importante é dominar a língua. Comunicação é a preocupação número um. E tem também as regras de etiqueta específicas do País. Eu fui para o Japão, e lá existe uma hierarquia até para você falar com as pessoas. Então você tem que pegar essas informações antes. Isso é educação. De resto, seja você mesmo. Não adianta tentar ser o que não é. Quanto mais você tiver informações sobre as pessoas, sobre o país, sobre as reuniões, mais chances de sucesso nas negociações.

Então o segredo é ter naturalidade?
Eu nunca gosto de me fazer passar pelo que não sou. Se eu não sei alguma coisa, digo que não sei, não tem que ter vergonha de não saber, você não precisa dominar tudo. Tem que ser curioso, fazer perguntas, até porque as pessoas gostam de contar coisas, falar das culturas locais. Brasileiro tem mania de querer chegar nos lugares reinando. As pessoas te aceitam muito mais quando você mostra que tem limites, que tem o que aprender.

Existe espaço para diversão em viagens de negócios?
Tem que existir. Quando você vai trabalhar em algum lugar fora, você está sempre muito concentrado, tem problema de fuso horário, de comida, querendo ou não; executivo nunca tem muito tempo em viagem, tudo é sempre corrido. Se você conseguir pegar um cinema à noite, jantar com as pessoas sem ter que falar de negócios, ou ir ao teatro, é importante para te recuperar para o dia seguinte. Passar 24 horas por dia pensando em negócios não é uma boa coisa.

O fato de ser uma viagem de negócios impõe algum limite à diversão?
Para quem bebe é complicado. Se a pessoa trabalha até às seis da tarde, depois sai para beber, bebe demais, passa mal, no dia seguinte está quebrado. Tem que ter limite para as coisas e desempenhar bem suas tarefas no dia seguinte, você tem que ser muito eficiente.

Você se lembra de alguma gafe cometida no ambiente de trabalho?
Certa vez, fui ao Japão para visitar um cliente em Tóquio. Eles têm uma série de rituais para te receber; parte deste ritual era um jantar na casa de um dos anfitriões. Eu não como comida complicada, não como peixe, não como comida crua. E a comida japonesa no Japão é muito diferente da comida japonesa do Brasil. Só que lá as pessoas se ofendem se você não comer. Então eu não podia dizer que não iria comer. Bem, primeiro, eu passei uma fome danada; segundo, eu, disfarçadamente, pedi ao diretor que estava comigo para comer a comida do meu prato para eu não ter que devolver. Os primeiros três pratos eram peixe. Na terceira vez que eu passei a comida, o anfitrião percebeu. Ele perguntou se eu não tinha gostado. Nossa, eu fiquei vermelho, mas expliquei que não comia peixe; aí pediram para fazer outra comida, eu fiquei com muita vergonha. Uma outra vez, também por causa de peixe, eu passei vergonha. Fui almoçar na casa de um cliente, e a esposa dele preparou a comida. Quando eu cheguei ela disse que tinha feito um salmão especial. Eu pensei: ou eu falo agora e fico vermelho um minuto ou não falo, e fico amarelo pro resto da vida. Eu disse: olha, desculpa, mas eu não como peixe. Bom, a mulher passou o resto do almoço na cozinha preparando uma carne pra mim. Imagina como eu me senti.

Cada roupa que a gente usa gera uma impressão nas pessoas. Como você “administra” suas roupas para que elas deponham a seu favor, e não contra?
Eu tenho um estilo clássico, não misturo muitas coisas, não ouso demais. Mesmo quando estou com roupa esporte, uso camisa branca, preta, raramente com um listrado. Então é difícil de errar. Eu gosto de qualidade, então tenho roupas boas, o que também faz diferença. A aparência externa é muito importante na vida empresarial.

No programa O Aprendiz, em que medida a aparência dos candidatos influenciava sua opinião a favor ou contra a permanência deles no programa?
Isso é um paradoxo. Apesar de uma pessoa bem vestida e bonita fazer diferença, eu nunca me deixei me levar por isso, porque tem muita gente de boa aparência, mas sem nenhum conteúdo. É mais fácil dar um banho de loja em alguém mal vestido, mas com conteúdo, do que tentar mudar uma pessoa sem conteúdo nenhum. É claro que no Aprendiz eu também reparava no aspecto externo das pessoas, o impacto físico chegava primeiro, mas depois a pessoa ia me conquistando, e aí a aparência vai para segundo plano.

Um jornalista de televisão disse que a imagem da TV é uma imagem fictícia, maquiada. Você concorda com isso?
Depende. No caso do Aprendiz, as pessoas que estavam lá era o que todo mundo estava vendo. Tínhamos até o cuidado de que cada um levasse suas próprias roupas. Mas é claro que o ambiente é diferente. Se eu crio um clima de tensão na sala de reunião, a luz é mais baixa, eu estou numa cadeira mais alta do que os aprendizes. Há toda uma ciência para criar um ambiente de tensão. Mas isso faz parte do teste. Se olhar por aí, é uma cena maquiada. Mas não deixa de ser verdade. Não existiu nenhuma cena de demissão que eu tenha voltado a gravação. Não dá pra dizer pro cara: “olha, deixa eu te demitir de novo porque dessa vez não ficou bom”. A gente procura estar o mais próximo possível da realidade, e o público percebe isso. Eu não colocaria meu nome num programa no qual tivesse que dizer mentiras para o público.

O fato de você estar mais exposto nos meios de comunicação fez você se preocupar mais com a imagem?
Sem dúvida. Se eu for passear no shopping hoje é diferente de quando eu passeava no shopping há cinco anos. Eu sei que as pessoas estão me olhando, querem tirar foto, pedir autógrafo. Todas as minhas atitudes, a partir daí, são mais medidas, eu fico mais cuidadoso. Eu não vou mais relaxado para algum lugar porque sei que vai ter alguém querendo tirar uma foto comigo; fim de semana, antigamente, eu não fazia a barba, agora tenho que fazer. Eu tenho uma imagem para zelar e devo uma satisfação para o público, porque entro na casa dessas pessoas duas vezes por semana e em horário nobre. E outra: já tem tanta fofoca sobre pessoas conhecidas mesmo sem elas terem feito nada, imagine se você der alguma mancada. Qualquer coisa que você faça, reverbera.

O que um profissional deve fazer para manter uma conduta exemplar no ambiente de trabalho?
A primeira coisa é se apaixonar pelo que faz. Se você está feliz, você acaba fazendo bem o que deve fazer. Tem que ter muita determinação para buscar os objetivos e colocar esses objetivos o mais longe possível. Quando você já estiver numa situação confortável, não pode se perder, tem que ter humildade, não pode deixar subir na cabeça, não ache que você não tem mais nada que aprender. E é preciso ter muita ética na condução dos negócios.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

002. A TELONA É DAS ELITES


Dia 8 de julho de 1896 não era uma sexta-feira, no entanto, isso não desmotivou um grupo de pessoas do Rio de Janeiro a irem assistir à primeira sessão de cinema do país. Um ano depois, novamente no Rio, é inaugurado o “Salão Novidades de Paris”, a primeira sala de cinema regular do Brasil.

Considerando que tudo isso aconteceu a menos de dois anos desde a histórica apresentação dos filmes dos irmãos Lumière, em Paris, a sétima arte prometia ser um sucesso no país. No entanto, o seu desenvolvimento se deu de forma a transformar o cinema num privilégio para poucos, principalmente nas últimas décadas, quando o cinema saiu das ruas e foi para os shopping centers. Segundo Celso Sabadin – crítico de cinema formado em jornalismo pela Cásper Líbero – apenas 8% dos municípios brasileiros tem salas de cinema, e somente 10 milhões de brasileiros costumam freqüentá-las. Os outros 160 ou 170 milhões jamais vão a uma sala de exibição. Estes dados mostram a dificuldade que se tem para construir um mercado forte, principalmente com os preços elitistas cobrados no Brasil (que são parecidos com os de Nova Iorque).

Outro fator a ser levado em conta é que o grande público está interessado em entretenimento, pura e simplesmente, sem grandes preocupações artísticas. Apesar de ser um fenômeno mundial, isso faz com que não exista a exigência por mais qualidade. O cinema não pode se ater apenas às exigências do público, é preciso estar um passo à frente, pensar adiante. Para completar o quadro do cinema no Brasil, a grande massa da população brasileira tem "vergonha" de entrar em shoppings. “Eles se sentem constrangidos.” – conta Sabadin – “O shopping é um fenômeno urbano e elitista, que está espantando a grande massa do cinema.”
Sobre a qualidade dos filmes nacionais, Celso diz que nós alcançamos um padrão técnico admirável, mas o que mais tem chamado a atenção é a diversidade temática das nossas produções. “Atualmente, temos filmes para todos os gostos, desde o artístico/hermético de um Júlio Bressane, até o comercial. Temos filmes para os mais variados tipos de públicos, ótimos documentários, um pouco de animação, enfim, há um leque de opções bem variado e diversificado.”. Infelizmente, os lançamentos alcançam apenas uma pequena parcela da população.

Para mudar essa situação é preciso muito mais do que força de vontade. O país precisa de um investimento maciço na construção de novas salas de cinema, na divulgação dos filmes, na produção nacional, além de tornar os preços mais acessíveis. Celso cita uma frase, cujo autor é desconhecido, que diz: “Um país sem cinema é igual a uma casa sem espelho”, isso porque o cinema não é só uma forma de entretenimento, é a identidade cultural de um país. É ao se ver na tela que o povo se identifica e se transforma.

domingo, 16 de março de 2008

001. Olhar de Estrangeiro


Porque "Um Olhar de Estrangeiro"?

Fui à uma palestra da BBC nesta semana que passou. Em comemoração aos 70 anos desde a primeira transmissão da BBC no Brasil, a emissora realizou quatro debates em São Paulo, dos quais, infelizmente, eu só pude participar de um.
Nele estavam presente:
Asdrúbal Figueiró - Editor da BBC Brasil
Caio Túlio Costa - Diretor do IG
Garry Duff - Correspondente da BBC Brasil
Mariza Tavarez Figueira - Diretora Executiva da rede CBN
Tereza Rangel - Ombudsman do UOL

Falaram sobre coisas muito interessantes, que me renderiam um post inteiro, mas quero falar especificamente de uma fala da Mariza, que foi mais ou menos assim: É preciso ter o olhar de estrangeiro, daquele que está vendo uma coisa pela primeira vez. É preciso ter o olhar de estrangeiro para poder se indignar e perceber o que acontece ao seu redor.
E foi daí que eu tirei o nome deste blog, que dedico às minhas produções jornalísticas. Espero que, com o passar do tempo, possamos - juntos - perceber o amadurecimento dos textos.

Um grande beijo,
Amanda.

--*--

Texto para a aula de História da Comunicação, do professor Carlos Costa.

O ato de informar.

A cada minuto novas informações são divulgadas e colocadas à nossa disposição. Assim vamos, aos poucos, construindo um conhecimento em constante expansão. Porém, boa parte do que sabemos hoje é resultado não de um ato vivenciado, mas sim de uma informação mediada – na maioria das vezes por um meio midiático. Essa é a época do “eu li, eu ouvi, eu fiquei sabendo” ao invés do “eu fiz, eu vi, eu estive lá”.

O mesmo vale para as fotografias, que podem carregam consigo uma riqueza sem igual, principalmente no que se trata de captar a realidade, o instantâneo, ou, até mesmo, o passado. Mas devemos ter em mente que, nos nossos dias, a maioria dos computadores tem instalado um Photoshop ou software do gênero. Como disse Lewis Hine: embora as fotografias não possam mentir, os mentirosos podem fotografar.

Claro que num mundo capitalizado e que exige progresso atrás de progresso, seria um ato digno de julgamento pedir a alguém que comprovasse a veracidade de tudo que lhe é exposto. É nesse contexto que nascem as críticas de fonte mencionadas por Peter Burker no texto “Como confiar em fotografias”. Sabendo fazer um exame cruzado entre a realidade e o que lhe é apresentado, e sabendo de quem essa informação provém, fica mais fácil tomá-la como verdade. O que não exclui a riqueza de tê-la como experiência de vida.

Outro vetor importante a ser analisado é o de que um fato pode ser tratado de várias maneiras. Segundo Mariza Tavares, diretora da Rádio CBN, qualquer contato com a realidade é seletivo, e essa seleção pode gerar visões diversas, porque é tratada com critérios diferentes. Assim, de um mesmo fato, podem surgir três ou mais reportagens, de ângulos diferentes.

Tudo isso converge para uma questão fundamental: o papel do jornalista e das faculdades de comunicação no mundo atual. É preciso não só dar a informação para o receptor, mas também convencê-lo de que esta é confiável e verdadeira. O estudante e profissional tem que ter como princípio a busca pela experiência e pelo contato, o treino do olhar objetivo e imparcial e a familiaridade com as mudanças da sua época. Mesmo porque, no decorrer dos últimos tem crescido o que chamamos de jornalismo participativo, ou seja, cada indivíduo pode fazer a sua rede de transmissão de notícias. Logo, as técnicas de escrita passam a ocupar o segundo plano dos novos profissionais, e a prioridade é a construção de valores éticos da profissão, a fim de que possamos construir um jornalismo sério, comprometido com a transmissão de informações de qualidade para a comunidade.

(Amanda Aguiar Melaré)